Veja como foi o Abraço da Guarapiranga 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O abraço da Guarapiranga reuniu cerca de seis mil pessoas em três diferentes pontos do manancial, na zona sul da capital paulista. Como em todos os anos, a intenção foi alertar a população e as autoridades para a degradação dos mananciais e o risco de colapso no abastecimento de água.

A Rede de Olho nos Mananciais, que re√ļne ONGs ambientalistas, movimentos sociais, universidades, institui√ß√Ķes religiosas e diversas organiza√ß√Ķes da sociedade civil, promoveu no √ļltimo domingo (30/05), a quinta edi√ß√£o do Abra√ßo da Guarapiranga. Realizado em tr√™s locais diferentes √†s margens da represa, o evento, reuniu cerca de seis mil pessoas entre o Parque da Barragem na Av. Robert Kennedy, o Solo Sagrado em Parelheiros e o Parque Ecol√≥gico do Guarapiranga, no Jardim √āngela. O sol, que brilhou o dia todo, colaborou para o sucesso do simb√≥lico gesto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No Parque da Barragem, a Associa√ß√£o Cultural Zumbi dos Palmares organizou rodas de capoeira enquanto a ACM-Jabaquara fez um arrast√£o com o Maracatu Il√™ Al√°fia que conduziu as pessoas no abra√ßo simb√≥lico. Houve tamb√©m passeio cicl√≠stico, plantio de √°rvores, oficinas de educa√ß√£o ambiental. Grupos de escoteiros, escolas, universidades, clubes esportivos, associa√ß√Ķes culturais e ambientalistas estiveram presentes nas atividades.

No Jardim √āngela, a tradicional caminhada da Par√≥quia Santos M√°rtires at√© o Parque Ecol√≥gico Guarapiranga reuniu cat√≥licos e evang√©licos das comunidades da regi√£o. L√° realizou-se a celebra√ß√£o religiosa e ao meio dia as pessoas deram-se as m√£os para abra√ßar a represa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Parelheiros, no Solo Sagrado (sede da Igreja Messi√Ęnica Mundial), a programa√ß√£o come√ßou cedo. As 8h30, os volunt√°rios iniciaram um mutir√£o de limpeza, seguido por oficinas de reciclagem, ikebana, horta org√Ęnica e atividades culturais. √Äs 12h00 mais de duas mil pessoas se deram as m√£os para abra√ßar a Guarapiranga.

O Abra√ßo √© uma demonstra√ß√£o de carinho da popula√ß√£o com a represa, uma festa e tamb√©m uma manifesta√ß√£o de indigna√ß√£o e protesto, pois o crescimento desordenado das cidades da Regi√£o Metropolitana de S√£o Paulo, as ocupa√ß√Ķes irregulares, os desmatamentos e o despejo de esgoto e res√≠duos, v√™m comprometendo a capacidade de produ√ß√£o, armazenamento, tratamento e distribui√ß√£o da √°gua.

Atualmente uma enorme quantidade de plantas aqu√°ticas (aguap√©s e alfaces d’√°gua), boiam na superficie das √°guas da Guarapiranga. Estas plantas, da fam√≠lia das macr√≥fitas, se reproduzem quando encontram ambientes ricos em f√≥sforo e com grande quantidade de material org√Ęnico, ou seja: esgoto. S√£o um indicador da qualidade da √°gua, que √© bem ruim no momento.
Os mananciais de S√£o Paulo tamb√©m est√£o amea√ßados com a implanta√ß√£o do Trecho Sul Rodoanel, que provocou desmatamentos e tem induzido a ocupa√ß√£o. As organiza√ß√Ķes ambientalistas denunciam que as compensa√ß√Ķes ambientais previstas durante o processo de licenciamento da obra ainda n√£o foram implementadas.

Sobre as edi√ß√Ķes anteriores do Abra√ßo Guarapiranga

2008
A terceira edi√ß√£o do Abra√ßo Guarapiranga foi realizada no dia 1¬ļ de junho de 2008, abrindo as comemora√ß√Ķes da Semana do Meio Ambiente. Ocorreu simultaneamente em tr√™s pontos diferentes ao redor da represa e contou com a participa√ß√£o de cerca de sete mil pessoas. Shows, passeio cicl√≠stico, velejada e expedi√ß√£o fotogr√°fica marcaram a edi√ß√£o 2008 do evento.

2007
No dia 27 de maio 2007, foi realizada a segunda edi√ß√£o do Abra√ßo. A coordena√ß√£o do evento contou com 35 organiza√ß√Ķes n√£o governamentais e apoio da Prefeitura de S√£o Paulo. O evento reuniu 5 mil pessoas. Antecedendo o abra√ßo, no Jardim Angela/M’Boi Mirim, foi realizada a romaria Senhora das √Āguas. No Solo Sagrado, al√©m do ato ecum√™nico, foi realizado plantio de √°rvores por autoridades pol√≠ticas e religiosas. Entre as autoridades presentes, estavam o Prefeito de S√£o Paulo, o Presidente da Sabesp, e todos os subprefeitos da regi√£o.

2006
O primeiro Abra√ßo na Guarapiranga aconteceu em 2006 em comemora√ß√£o aos 100 anos da represa.A iniciativa foi proposta pelo Instituto Socioambiental (ISA) e contou com a ades√£o de cerca de 10 organiza√ß√Ķes n√£o-governamentais da regi√£o. O evento aconteceu simultaneamente no Parque Ecol√≥gico Guarapiranga, no Solo Sagrado e nas proximidades da Barragem da represa. O p√ļblico estimado naquela primeira edi√ß√£o foi de 4 mil pessoas.

Saneamento: você sabia?

  • 99% das obras no setor de saneamento programadas para o ultimo governo n√£o foram conclu√≠das em 2010.
  • 56% dos brasileiros n√£o possui rede coletora de esgoto (IBGE ‚Äď PNSB /2008)
  • 92% das casas no NE brasileiro n√£o possui servi√ßos de esgoto.
  • 50,8% dos munic√≠pios brasileiros ainda utiliza ‚Äúlix√Ķes‚ÄĚ como destino final dos res√≠duos s√≥lidos (IBGE ‚Äď PNSB 2008)
  • Cerca de 1/3 das cidades no Brasil tem leis para prote√ß√£o de mananciais.

Abastecimento: você sabia?

  • 14 mi. de pessoas n√£o t√™m acesso a redes de distribui√ß√£o de √°gua. (PNBS 2008)
  • Cerca de 8,4 bi. de litros de esgoto s√£o gerados diariamente no Brasil. (Instituto Trata Brasil)
  • 36% de todo esgoto gerado no Brasil √© tratado. (Instituto Trata Brasil)
  • Com 1/2 dos 300 lt de √°gua consumidos por dia por brasileiro j√° seriam suficientes para sanar as necessidades ligadas a alimenta√ß√£o, higiene e outros. (Instituto Trata Brasil

Usos da √°gua

A √°gua √© utilizada, em todo o mundo, para diversas finalidades, como o abastecimento de cidades e usos dom√©sticos, a gera√ß√£o de energia, a irriga√ß√£o, a navega√ß√£o e a aq√ľicultura (pesca). Na medida em que os pa√≠ses se desenvolvem, crescem principalmente as ind√ļstrias e a agricultura, atividades que mais consomem √°gua, se comparadas aos outros usos. O cen√°rio de escassez provocado pela degrada√ß√£o e pela distribui√ß√£o irregular da √°gua, somado ao aumento da demanda em v√°rias atividades que dependem dela, gera conflitos, seja dentro dos pr√≥prios pa√≠ses (como discuss√Ķes para se decidir qual ser√° o principal uso das √°guas de um rio) ou entre as na√ß√Ķes (por exemplo, no caso de bacias hidrogr√°ficas se localizarem no territ√≥rio de mais de um pa√≠s).

No Brasil
A maior demanda por √°gua no Brasil, como acontece em grande parte dos pa√≠ses, √© a agricultura, sobretudo a irriga√ß√£o, com cerca de 65% do total. O uso dom√©stico responde por 18% da √°gua, em seguida est√° a ind√ļstria e, por √ļltimo, a pecu√°ria (dessedenta√ß√£o animal).

Historicamente, o Brasil sempre privilegiou o uso desse recurso para a produ√ß√£o de energia, em detrimento de outros, como o abastecimento humano. No C√≥digo das √Āguas, de 1934, o governo chamava a aten√ß√£o para a necessidade do aproveitamento industrial da √°gua e para a implementa√ß√£o de medidas que facilitassem, em particular, seu potencial de gera√ß√£o de hidroeletricidade. Mas o uso m√ļltiplo das √°guas das bacias hidrogr√°ficas – para a navega√ß√£o, a irriga√ß√£o, a pesca e o abastecimento, al√©m da gera√ß√£o de energia – desencadearam conflitos nas regi√Ķes onde as press√Ķes sobre a demanda s√£o grandes.

Em 1997, frente a esses problemas, foi decretada a Lei das √Āguas, que institui a Pol√≠tica Nacional de Recursos H√≠dricos (PNRH) e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H√≠dricos (SNGRH). Nessa nova leitura da import√Ęncia da √°gua, em situa√ß√Ķes de escassez e conflitos de uso, o abastecimento humano e a dessedenta√ß√£o animal tornam-se prioridades, como havia sido estabelecido pela Constitui√ß√£o de 1988. Al√©m disso, a lei prev√™ a gest√£o dos usos da √°gua por bacias hidrogr√°ficas e a gera√ß√£o de recursos financeiros a serem empregados prioritariamente na pr√≥pria bacia, por meio da cobran√ßa pelo uso da √°gua onde h√° conflitos ou escassez.

Origem

A √°gua se originou da libera√ß√£o de grandes quantidades dos gases hidrog√™nio e oxig√™nio na atmosfera, que se combinaram e deram origem aos vapores de √°gua. Durante o per√≠odo de forma√ß√£o do Planeta, as temperaturas s√≥ possibilitavam a √°gua em forma de vapor. √Ä medida que as temperaturas baixaram, os vapores se transformaram em nuvens, que foram atra√≠das pela gravidade e ca√≠ram em forma de chuva na superf√≠cie da Terra. Assim, houve acumula√ß√£o progressiva de √°gua principalmente na superf√≠cie ‚Äď nos estados l√≠quido e s√≥lido (gelo) e simult√Ęnea forma√ß√£o de vapor de √°gua pelos mecanismos de evapora√ß√£o e transpira√ß√£o dos organismos vivos. A parcela que se infiltrou na superf√≠cie e se acumulou entre as camadas de rochas do subsolo formou as √°guas subterr√Ęneas ‚Äď os len√ß√≥is e os aq√ľ√≠feros.

A manutenção desse recurso natural acumulado na superfície e no interior do solo é feita através do ciclo hidrológico. Com o calor irradiado pelo Sol, grandes parcelas da massa de água se transformam em vapor, que se resfria à medida que vai subindo à atmosfera, condensa e forma nuvens, as quais voltam a cair na Terra sob ação da gravidade, na forma de chuva, neblina e neve.

Toda a água do planeta está em contínuo movimento cíclico entre as fases líquida, sólida e gasosa. O ciclo representa a interdependência e o movimento contínuo da água nas suas diferentes fases. Os componentes do ciclo hidrológico são:

  • Precipita√ß√£o ‚Äď √°gua adicionada √† superf√≠cie da Terra a partir da atmosfera. Pode ser l√≠quida (chuva) ou s√≥lida (neve ou gelo);
  • Evapora√ß√£o ‚Äď Processo de transforma√ß√£o da √°gua l√≠quida para a fase gasosa (vapor d‚Äô√°gua). A maior parte da evapora√ß√£o se d√° a partir dos oceanos, muito embora, ocorra evapora√ß√£o nos lagos, rios e represas;
  • (Evapo)Transpira√ß√£o ‚Äď Processo de perda de vapor d‚Äô√°gua pelas plantas, o qual entra na atmosfera;
  • Infiltra√ß√£o ‚Äď Processo pelo qual a √°gua √© absorvida pelo solo;
  • Percola√ß√£o ‚Äď Processo pelo qual a √°gua entra no solo e nas forma√ß√£o rochosas at√© o len√ßol fre√°tico;
  • Drenagem ‚Äď Movimento de deslocamento da √°gua nas superf√≠cies, durante a precipita√ß√£o

Dicas: em condomínios

  • Aten√ß√£o aos desperd√≠cios e descuidos no uso da √°gua. Eles tornam o gasto muito maior do que o necess√°rio, ainda mais em condom√≠nios, onde o consumo √© maior devido √† press√£o da √°gua.
  • Uma ideia simples e eficaz √© expor a conta de √°gua nos locais de passagem dos moradores, como elevadores e garagens, permitindo que todos se informem sobre os valores de custo e volume consumido.
  • Tamb√©m vale apresentar ao lado da conta c√°lculos simples como o volume m√©dio consumido por cada apartamento, o valor correspondente em reais, e as diferentes faixas de consumo do condom√≠nio.
  • O banheiro √© o local que mais consome √°gua numa casa. Fique atento aos vazamentos e mantenha a descarga regulada.
  • Uma torneira pingando uma gota a cada 5 segundos representa mais de 20 litros de √°gua desperdi√ßado em apenas 1 dia.
  • A vaz√£o m√©dia de uma torneira √© de 16 litros por minuto. Por isso manter as torneiras fechadas quando escovamos os dentes, ensaboamos a lou√ßa ou fazemos a barba representa uma boa economia.
  • Procure usar sab√£o em pedra ao detergente, um grande poluidor de √°gua. O fosfato presente neste produto √© o elemento b√°sico na reprodu√ß√£o das algas, o que eleva o consumo de oxig√™nio da √°gua e a conseq√ľente mortandade de peixes.
  • Para reduzir o n√≠vel de poluentes presentes na √°gua, adquira o h√°bito de usar quantidades menores de produtos de higiene e limpeza.
  • Reutilizar a √°gua √© outra atitude inteligente. A √°gua do √ļltimo enx√°g√ľe da m√°quina de lavar pode ser usada para a limpeza dom√©stica, para regar plantas e at√© para dar descarga nos banheiros.
  • Um banho de ducha de 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 243 litros de √°gua. Se fecharmos o registro, quando nos ensaboamos, e reduzirmos o tempo do banho para 5 minutos, o consumo de √°gua total cai para 81 litros.
  • No caso de banho com chuveiro el√©trico, tamb√©m de 15 minutos e com o registro meio aberto, s√£o gastos 144 litros de √°gua. Com o fechamento do registro e a redu√ß√£o do tempo, o consumo cai para 48 litros.
  • Evite usar a privada como lixeira ou cinzeiro. Uma v√°lvula de descarga comum regulada utiliza em m√©dia 15 litros por acionamento. J√° h√° no mercado modelos de privadas com caixa acoplada que consomem apenas 6 litros por acionamento.
  • Durante a lavagem da lou√ßa, a melhor forma de economizar √°gua √© limpar os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sab√£o e s√≥ ent√£o abrir a torneira para molh√°-los. Depois de ensaboar tudo, abrir novamente a torneira para novo¬†enxague.
  • Em um apartamento, lavar lou√ßa com a torneira meio aberta durante 15 minutos utiliza 243 litros de √°gua. Com a economia, o consumo pode cair para 20 litros.
  • Uma lavadora de lou√ßas com capacidade para 44 utens√≠lios e 40 talheres gasta 40 litros de √°gua. Por isso o ideal √© utiliz√°-la somente quando estiver totalmente cheia.
  • O mesmo vale para a m√°quina de lavar roupa e para o tanque. Junte bastante roupa suja antes de us√°-los. N√£o lave uma pe√ßa por vez. A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros por ciclo de lavagem.
  • Use um regador para molhar as plantas ao inv√©s de utilizar a mangueira. Mangueira com esguicho-rev√≥lver tamb√©m ajuda a economizar. Ao molhar as plantas durante 10 minutos com mangueira, o consumo de √°gua pode chegar a 186 litros.. Com as outras op√ß√Ķes, pode-se economizar at√© 96 litros por dia!
  • Outra dica √© apenas regar as plantas pela manh√£ ou √† noite, quando a perda de √°gua pela evapora√ß√£o √© menor, principalmente no ver√£o. No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia n√£o, pela manh√£.
  • Se no condom√≠nio h√° uma piscina de tamanho m√©dio exposta ao sol e √† a√ß√£o do vento, perde-se aproximadamente 3.785 litros de √°gua por m√™s por causa da evapora√ß√£o. Com uma cobertura (encerado, material pl√°stico), a perda √© reduzida em 90%.
  • Em um condom√≠nio √© poss√≠vel coletar √°gua de chuva para lavar uma √°rea ou regar as plantas. Mas aten√ß√£o: nas cidades, √© sempre bom desprezar a √°gua do in√≠cio da chuva, pois ela vem com fuligem e outras impurezas que est√£o no ar.
  • Evite consumir sacolinhas pl√°sticas. Elas correspondem a 7% dos res√≠duos produzidos pelas pessoas. Al√©m disso, sua decomposi√ß√£o demora mais de 100 anos. Procure reutilizar as sacolinhas que tem em casa, usar caixas de papel√£o ou sacolas de pano.
  • Pratique coleta seletiva no seu condom√≠nio. A reciclagem √© uma maneira eficiente de contribuir na economia de √°gua. Os produtos reciclados consomem menos √°gua que aqueles que s√£o produzidos a partir de mat√©ria-prima virgem.
  • Procure utilizar l√Ęmpadas fluorescentes ao inv√©s das incandescentes. As fluorescentes consomem at√© 80% menos energia com o mesmo potencial de ilumina√ß√£o. Inclusive h√° no mercado l√Ęmpadas fluorescentes amarelas, que imitam a colora√ß√£o mais agrad√°vel das incandescentes.
  • Utilize l√Ęmpadas econ√īmicas ou apague as l√Ęmpadas que est√£o em c√īmodos vazios. Economizar energia el√©trica √© uma maneira de economizar √°gua.

Dicas: na cidade

  • Proteja os fundos de vale e topos de morro. Estes locais s√£o √Āreas de Prote√ß√£o Permanente (APPs) e t√™m papel essencial na produ√ß√£o de √°gua.
  • Se informe sobre a origem e o destino de tudo que voc√™ consome. Consumir produtos feitos com m√©todos ecol√≥gicos ajuda a diminuir os desperd√≠cios na cadeia produtiva e os impactos no meio ambiente.
  • Habitue-se a consumir alimentos org√Ęnicos. O m√©todo de produ√ß√£o √© bem menos danoso ao meio ambiente por n√£o utilizar insumos qu√≠micos e horm√īnios de crescimento.
  • Procure consumir menos carne e mais vegetais. A quantidade de √°gua necess√°ria para produzir um quilo de carne √© dez vezes maior do que para produzir a mesma quantidade de gr√£os.
  • Evite consumir sacolinhas pl√°sticas. Elas correspondem a 7% dos res√≠duos produzidos pelas pessoas. Al√©m disso, sua decomposi√ß√£o demora mais de 100 anos. Procure reutilizar as sacolinhas que tem em casa, usar caixas de papel√£o ou as sacolas de pano na pr√≥xima compra.
  • Se voc√™ detectar um vazamento de √°gua na rua ou cal√ßada, ligue 195 e denuncie. Informe o nome da rua e o n√ļmero onde est√° localizado o vazamento. A liga√ß√£o √© gratuita.
  • Se identificar alguma irregularidade na coleta de lixo, na limpeza p√ļblica ou na manuten√ß√£o das √°rvores de sua rua ou bairro, ligue para a Prefeitura no 156 e informe o problema

Dicas: no trabalho

  • Uma torneira pingando uma gota a cada 5 segundos representa mais de 20 litros de √°gua desperdi√ßados em apenas um dia.
  • Procure usar sab√£o em pedra ao inv√©s de detergente. Apesar de ‚Äúbiodegrad√°veis‚ÄĚ, os detergentes s√£o grandes poluidores da √°gua. O fosfato presente no produto √© o elemento b√°sico para a reprodu√ß√£o das algas, o que eleva o consumo de oxig√™nio da √°gua e provoca o aumento da mortandade de peixes. O detergente dilu√≠do na √°gua permanece ativo durante v√°rios dias, antes de ser degradado.
  • Use quantidades menores de produtos de higiene e limpeza para reduzir o n√≠vel de poluente presentes na √°gua. Uso somente o necess√°rio.
  • Pratique coleta seletiva. A reciclagem √© uma maneira eficiente de contribuir na economia de √°gua. Os produtos reciclados consomem menos √°gua do que os produzidos a partir de mat√©ria prima virgem. Al√©m disso, a reciclagem economiza muita energia, que em grande parte √© produzida em hidroel√©tricas, ou seja, por meio de √°gua.
  • Utilize l√Ęmpadas econ√īmicas ou apague as l√Ęmpadas que est√£o em c√īmodos vazios. Economizar energia el√©trica √© uma maneira de economizar.
  • Apague o monitor do computador se for ficar um tempo afastado da m√°quina. O monitor responde por 70% da energia de um computador. Voc√™ pode configurar seu computador para desligar o monitor caso casa fique algum tempo sem utiliza√ß√£o.
  • Procure usar pilhas recarreg√°veis, pois geram menos res√≠duos que as pilhas descart√°veis. Ao usar a bateria do celular, siga as recomenda√ß√Ķes do fabricante e aumente a vida √ļtil do equipamento. Desta maneira, evitamos a fabrica√ß√£o de mais pilhas e baterias e geramos menos res√≠duos.
  • Procure utilizar l√Ęmpadas fluorescentes ao inv√©s das incandescentes. As fluorescentes consomem at√© 80% menos energia e t√™m mesmo potencial de ilumina√ß√£o. Inclusive h√° no mercado l√Ęmpadas fluorescentes amarelas, que imitam a colora√ß√£o mais agrad√°vel das incandescentes.
  • Antes de imprimir algum documento do computador, pense se realmente h√° a necessidade de faz√™-lo. A economia de papel √© uma forma importante de proteger florestas e a √°gua. Cada tonelada de papel significa o corte de aproximadamente 18 √°rvores e cada quilo de papel consome cinco mil litros de √°gua.

O Rodoanel Norte é necessário?

por Nabil Bonduki

Publicado na Carta Capital em 27 de abril de 2011

O projeto de implanta√ß√£o do Rodoanel Norte tem gerado muita pol√™mica, com a oposi√ß√£o de entidades, movimentos e moradores das regi√Ķes afetadas, al√©m de ambientalistas. As tr√™s audi√™ncias p√ļblicas j√° realizadas, nos munic√≠pios de Aruj√°, Guarulhos e S√£o Paulo, revelaram um forte descontamento com a proposta. Em S√£o Paulo, praticamente todos se posicionaram contra a obra, da maneira que est√° sendo planejada. O evento reuniu mais de mil pessoas.

O tra√ßado proposto pelo governo do Estado amea√ßa seriamente a Serra da Cantareira que, em 1994, foi declarada pela Unesco uma Reserva da Biofera, com status de Patrim√īnio da Humanidade. A floresta da Cantareira, com cerca de 80 Km2, em grande parte dentro do Parque Estadual da Cantareira, √© hoje a maior floresta urbana do mundo. Al√©m disso, corta regi√Ķes altamente povoadas, afetando moradores da Zona Norte da capital paulista e dos outros munic√≠pios, est√£o lutando pela altera√ß√£o do tra√ßado, ainda est√° em fase de licenciamento ambiental.

Al√©m do forte impacto sobre serra, a obra dever√° gerar o despejo de moradores e a desapropria√ß√£o de im√≥veis utilizados para moradia. Apenas em Guarulhos, segundo a prefeitura, cerca de 1,2 mil fam√≠lias ser√£o despejadas de suas casas e cerca de 4 mil ficar√£o isoladas pelo obra vi√°ria. O Rodoanel ir√° passar sobre um reservat√≥rio de √°gua no bairro Bananal e por uma esta√ß√£o de tratamento de esgoto no Cabu√ßu. Em S√£o Paulo, al√©m de um grande n√ļmero de deslocados ‚Äď h√° diverg√™ncia sobre os n√ļmeros, que poder√£o ultrapassar cinco mil fam√≠lias ‚Äď quatro escolas dever√£o ser demolidas, com enorme impacto social.

O tra√ßado proposto desrespeita o Plano Diretor Estrat√©gico e atravessa um trecho da √Ārea de Prote√ß√£o Integral definida em seu Macro-Zoneamento. Ademais, teme-se que o governo, por economia, acabe por transformar trechos que seriam abertos em t√ļnel por uma via aberta, com maiores impactos ambientais.

Do ponto de vista do planejamento, no entanto, a quest√£o deve merecer uma reflex√£o mais profunda antes de se discutir tra√ßado e as necess√°rias compensa√ß√Ķes s√≥cio-ambientais. Antes de mais nada deve-se avaliar, em um amplo debate p√ļblico, se o Rodoanel Norte √© uma obra priorit√°ria, se o anel em torno da Regi√£o Metropolitana precisa ser fechado.

O trecho norte do Rodoanel est√° or√ßado em 5,8 bilh√Ķes de reais mas, como a grande maioria das obras p√ļblicas, dever√° custar muito mais do que o previsto. Outro tanto dever√° ser gasto no trecho leste. √Č inadimiss√≠vel gastar essa quantidade de recursos p√ļblicos, em uma cidade com tanta car√™ncia na √°rea de mobilidade, sem que exista um plano vi√°rio e de transportes que demonstre, efetivamente, a prioridade da interven√ß√£o, que tanto impacto negativo deve causar, em rela√ß√£o a outras alternativas.

O fato √© que o Rodoanel est√° dando continuidade √† tradicional op√ß√£o pelo autom√≥vel que desde os anos 1940 predomina em S√£o Paulo. Embora anunciado e divulgado como uma interven√ß√£o que visa retirar caminh√Ķes que entram desnecessariamente em S√£o Paulo, os dados mostram que estes eram apenas 14% dos que se dirigiam para a cidade antes da inaugura√ß√£o do Rodoanel Oeste. No caso do trecho norte, essa porcentagem √© muito menor: apenas 6%. O n√ļmero √© baixo por uma raz√£o muito simples: as rodovias Anhanguera, Bandeirantes, Dutra, Fern√£o Dias e Airton Senna j√° est√£o interligadas pela Rodovia Dom Pedro I, entre Campinas e Jacare√≠. Ademais, existem outras liga√ß√Ķes perimetrais na regi√£o, como a liga√ß√£o entre Franco da Rocha e Mairipor√£. Estas estradas podem ser melhoradas e ampliadas a um custo financeiro, social e ambiental muito inferior a do Rodoanel Norte.

S√£o Paulo precisa, antes de mais nada, alterar seu padr√£o de mobilidade, investindo fortemente em transportes coletivos de modo a torn√°-lo mais competitivo em rela√ß√£o ao deslocamento por autom√≥veis. Caso se continue a investir na amplia√ß√£o da malha vi√°ria sem priorizar corredores de √īnibus, metr√ī e trens metropolitanos, o circulo vicioso ‚Äď mais vias, mais carros, mais vias, mais carro ‚Äď nunca ter√° fim. O debate sobre o Rodoanel precisa ser debatido nestes termos, pois a capacidade de financiamento do desenvolvimento urbano √© finita.

O Rodoanel Norte, além de não ser prioritário, trará impactos sócio-ambientais enormes, aspecto que está mobilizando moradores diretamente afetados e os ambientalistas ligados a Serra da Cantareira. No entanto, o debate dessa obra precisa ser feito por toda a população metropolitana, pois o que está em jogo é o futuro da região como um todo.